
No mês de maio de 2014, foi realizada uma oficina de produção de objetos e capacitação audiovisual com os artesãos, pesquisadores e mestres rituais Krahô, que ocorreu na aldeia Pedra Branca, Terra Indígena Krahô, município de Goiatins (TO).
A oficina faz parte das ações previstas pelo Programa de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas – PRODOCULT KRAHÔ (Museu do Índio/Unesco), relativas à pesquisa etnográfica, documentação e registro audiovisual da cultura material e imaterial Krahô, formação de acervo contemporâneo e capacitação técnica. O projeto “Artesanias do cerrado: o saber-fazer das mulheres Krahô”, coordenado pela pesquisadora Ana Gabriela Morim (UFRJ/NAIPE), é realizado em pareceria com a associação indígena Centro Cultural Kàjre, da aldeia Pedra Branca, e com o grupo de pesquisa audiovisual Mentuwajê Guardiões da Cultura, formado por jovens cineastas e professores da mesma aldeia.
O projeto tematiza as matérias-primas nativas do cerrado utilizadas na produção artesanal Krahô, tendo como foco as sementes de tiririca (akà), as sementes de cabeça de formiga (homĩjre) e as fibras de tucum (rõnre/rõnti) utilizadas pelas mulheres na confecção de adornos corporais e na ornamentação dos objetos cerimoniais. A atual pesquisa é uma continuidade do projeto “Miçangas e tiriricas: técnicas e conhecimentos Krahô”, também realizado no âmbito do PRODOCULT KRAHÔ nos anos de 2012 e 2013, e que teve como objetivo principal a construção do nicho Krahô para a exposição “Um mundo feito de contas, os caminhos da miçanga” organizada pelo Museu do Índio e com curadoria de Els Lagrou (UFRJ/NAIPE).
A primeira parte da oficina foi realizada entre os dias 14 e 22 de maio de 2014, quando buscou-se documentar todo processo produtivo, desde a coleta, passando pelas múltiplas transformações da matéria-prima, até a confecção final do objeto. O que envolveu uma caracterização detalhada dos métodos de coleta, da época e dos locais, do manejo adotado, das diferentes fases do processo de beneficiamento das sementes, das técnicas utilizadas, e dos atores envolvidos na cadeia produtiva. Abarcando também os usos cotidianos e rituais, as narrativas míticas e os cantos associados.
Todo o processo foi documentado, e o registro audiovisual e fotográfico foram feitos a partir das oficinas de capacitação ministradas pela pesquisadora Ana Gabriela Morim, pelo designer Gérome Ibri, e pela cineasta Renée Nader, uma das coordenadoras e professora do grupo Mentwajê Guãrdiões da Cultura. Participaram da oficina: as artesãs Inês Poxên, Iraci Hapxetep, Maria Hõmrẽ, Iolanda Wakrẽr, Maria Prerkwyj e Severa Ihkwỳp; o mestre ritual e artesão Raimundo Zezinho Popry; o professor Isauro Krokroc; os cinegrafistas indígenas Ilda Patpro e Iperxwa do Grupo de Pesquisa Audiovisual Mentuwajê Guardiões da Cultura; os bolsistas do projeto, André Cunihtyc e Marciana Amxykwyj.
A segunda parte da oficina ocorreu entre os dias 24 de maio e 3 de junho, quando todo material audiovisual e fotográfico produzido ao longo da oficina foi devidamente qualificado e descrito do ponto de vista etnográfico, com a identificação dos principais participantes, atividades e objetos representados. A organização e qualificação desse material se deu através de um trabalho conjunto com os bolsistas indígenas, que também participaram da seleção das fotos e vídeos, assim como da produção dos textos que serão utilizados no desenvolvimento de um projeto de exposição, mostra fotográfica e um catálogo do projeto.
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